
Gestão de Projetos Tradicionais: O que veio antes do Ágil?
Um texto necessário para você que está iniciando sua carreira ou está em transição para a área de tecnologia, no qual irei acabar com o mito de intrigas entre Gestão de Projetos Tradicionais x Gestão de Projetos Ágeis.
É muito comum vermos agilistas ou gerentes de projetos tradicionais discutindo por redes sociais sobre qual modelo de gestão de projetos é melhor ou qual traz mais benefícios no dia a dia do seu projeto.
Quero deixar claro que neste artigo ou em nenhum outro você verá eu fazendo distinção sobre um modelo ou outro.
Antes de mais nada… Você sabe o que é um projeto?
Segundo o PMI (2017), podemos considerar que “um projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. Os projetos e as operações diferem, principalmente, no fato de que os projetos são temporários e exclusivos, enquanto as operações são contínuas e repetitivas.”.
Muitas pessoas confundem projetos com atividades operacionais, o que diferencia é que como vocês podem ver um projeto possui um propósito a criação de um produto ou serviço e sempre irá ter um início, meio e fim, enquanto atividades operacionais podem nunca ter um fim.
Um projeto pode ser desenvolvido em diversos setores do mercado, como por exemplo: a construção de um prédio, o desenvolvimento de um software ou até mesmo a realização de uma pesquisa cujo resultado será registrado.
Quando bem estruturado, um projeto envolve estas cinco fases:
- Iniciação: Nesta fase é determinado a justificativa do projeto, deve ser levantado todas as informações essenciais e toda a equipe envolvida deverá conhecer as restrições de qualidade, tempo e de custo que afetam o projeto. É comum utilizar um documento chamado Termo de Abertura durante esta fase.
- Planejamento: Como o nome já diz, nesta fase será realizado a organização dos esforços necessários para a realização do projeto em um cronograma claro e transparente para todos. É comum que seja utilizados documentos como a Estrutura Analítica de Projeto (EAP) e um Cronograma do Projeto.
- Execução: Durante a fase de execução será a hora de colocar a mão na massa e realizar as atividades que foram planejadas na fase anterior. É possível que surjam novas atividades ao longo do projeto, mas se você fez um bom planejamento não precisa se preocupar.
- Controle e Monitoramento: Esta fase ocorre em paralelo com a fase de execução, no qual ocorre as validações do progresso das atividades e para monitorar que tudo está seguindo conforme o que foi planejado. Nesta fase é comum utilizar ferramentas online ou planilhas como forma de Status Report, tanto internamente como para o cliente.
- Encerramento: A última fase porém não a menos importante, será a fase em que a equipe responsável e o cliente irão validar a conclusão final do projeto e que os objetivos previstos foram alcançados. É muito importante que nesta fase sejam utilizados documentos contendo a Assinatura do Termo de Aceite e o Registro das Lições Aprendidas.
Como vocês podem ver acima eu citei exemplos de ferramentas e documentos que você deve utilizar durante o andamento de um projeto, mas você não precisa se preocupar com isso pois teremos textos práticos sobre todos eles e a melhor forma de utiliza-los.
Outro nome bem conhecido que temos na gestão de projetos tradicionais, é o Método Cascata (ou Modelo Waterfall), que tem este nome devido a utilizar fases sequenciais, longo planejamento e de projetos com custos, escopo e cronogramas fixos.
Este modelo de gestão de projetos é muito indicado para projetos que possuem requisitos bem definido e que não é esperado alterações de escopo ou que comprometam o planejamento para o objetivo do projeto.
O que é o PMI, PMP e o PMBOK?
Não posso falar de gestão de projetos sem falar do PMI, por tanto o restante deste texto será um pouco mais teórico, para que neste momento você consiga entender como iniciar os seus estudos nesta área.
Em gestão de projetos é muito comum vermos diversas siglas e acharmos que na teoria todas elas representam a mesma coisa, mas existem sim diferenças, apesar de serem relacionadas, e vou te explicar agora as principais:
O PMI ou Project Management Institute é uma organização sem fins lucrativos criada por profissionais de gestão de projetos em 1969, nos Estados Unidos, onde tem por objetivo promover e ampliar o conhecimento existente em todo o mundo sobre gestão de projetos. Outro trabalho realizado pela instituição é o de melhorar a capacitação e o desempenho dos profissionais e organizações.
A instituição fornece diversas certificações em gestão de projetos, sendo a mais conhecida a PMP (Project Management Professional), uma das certificações mais famosas em todo o mundo.
Para obter a certificação PMP é necessário a comprovação de experiência profissional com gestão de projetos, além de ser fundamental o conhecimento teórico em todos as áreas de conhecimento apresentadas no PMBOK.
Já o PMBOK ou Project Management Body of Knowledge é um guia responsável por organizar e fornecer conceitos de gestão de projetos, compilando boas práticas e orientações aos gerentes de projetos para que executem suas funções da melhor forma possível.
Atualmente o PMBOK está na sua 6ª versão, lançada em 2017, e é considerado a base do conhecimento sobre gestão de projetos por profissionais da área.
Recentemente a PMI lançou uma nova certificação, denominada PMI-ACP (Agile Certified Practitioner) com foco em práticas ágeis dentro dos projetos, mas sobre esta certificação irem comentar a parte em outro momento.
Áreas de Conhecimento em Gestão de Projetos (PMI, 2017)
O PMBOK apresenta 10 áreas de conhecimento em gestão de projetos para que nós, gerentes de projetos, possamos seguir com o andamento de um projeto para que ele seja bem sucedido. Abaixo vou resumir cada uma das áreas conforme a última versão do guia:
- Gerenciamento da Integração do Projeto: Tem como objetivo consolidar e integrar as demais áreas, inclui os processos e atividades para identificar, definir, combinar, unificar e coordenar os vários processos e atividades de gestão de projetos dentro das cinco fases de gerenciamento do projeto.
- Gerenciamento do Escopo do Projeto: Tem como objetivo definir e controlar o que faz parte do projeto para assegurar que o projeto inclua todo o trabalho necessário, e apenas o necessário. É definido os objetivos do projeto que devem ser atendidos, o que e como será feito para atingir estes objetivos.
- Gerenciamento do Cronograma do Projeto: Tem como objetivo criar um cronograma capaz de cumprir o prazo do projeto, inclui os processos necessários para gerenciar o término pontual do projeto, visando manter uma sequência de eventos e atividades que devem ser frequentemente atualizadas.
- Gerenciamento dos Custos do Projeto: Tem como objetivo estimar o orçamento do projeto de forma que ele seja cumprido sem qualquer tipo de variação, inclui os processos envolvidos em estimativas, orçamentos e controles dos custos.
- Gerenciamento da Qualidade do Projeto: Tem como objetivo assegurar que o projeto satisfaça as necessidades do cliente envolvendo todas as atividades planejadas, inclui os processos para incorporação da política de qualidade da organização com relação ao planejamento, gerenciamento e controle dos requisitos de qualidade do projeto e do produto.
- Gerenciamento dos Recursos do Projeto: Tem como objetivo definir os recursos necessários para o projeto, mobilizá-los ou adquiri-los, gerenciá-los, controlá-los e liberá-los ao fim do projeto. Inclui os processos para identificar, adquirir e gerenciar os recursos necessários para a conclusão bem-sucedida do projeto.
- Gerenciamento da Comunicação do Projeto: Tem como objetivo conectar as diversas partes interessadas apesar de seus diferentes interesses e culturas para atingir o objetivo do projeto, inclui os processos necessários para assegurar que as informações do projetos sejam geradas, coletadas, distribuídas, armazenadas, recuperadas e organizadas de maneira oportuna e apropriada.
- Gerenciamento dos Riscos do Projeto: Tem como objetivo maximizar a exposição aos eventos positivos e minimizar a exposição aos eventos negativos, inclui os processos de condução do planejamento, identificação, análise, planejamento de respostas, implementação das respostas e monitoramento dos riscos em um projeto.
- Gerenciamento das Aquisições do Projeto: Tem como objetivo decidir o que será feito e adquirido ao longo do projeto, inclui os processos necessários para comprar produtos, serviços ou resultados externos à equipe do projeto.
- Gerenciamento das Partes Interessadas do Projeto: Tem como objetivo identificar as partes interessadas do projeto, priorizá-las e desenvolver estratégias para quebrar suas resistências e aumentar o seu engajamento.
Lembrando que este é um pequeno resumo de cada área de conhecimento do PMBOK, mas se vocês quiserem eu posso trazer um texto para cada área, detalhando o que acontece e quais ferramentas utilizar para cada situação.
Gestão de Projetos Tradicionais… Ainda vale a pena?
Nesta parte do artigo, você verá uma opinião mais pessoal do que algo de mercado ou o que outras pessoas estão comentando ou publicando em redes sociais.
Na minha opinião, sim. A gestão de projetos tradicionais ainda é muito importante, não somente no desenvolvimento de software, como em diversos outros setores, a construção civil é um ótimo exemplo de importância dos métodos mais tradicionais.
Apesar das mudanças e facilidades que os métodos ágeis nos trazem na gestão de projetos, é muito comum vermos pessoas e organizações realizando integrações entre os dois tipos, o que chamamos de gestão de projetos híbridos.
Existem diversos conhecimentos e ferramentas existentes nos métodos ágeis que foram derivadas e melhoradas da gestão de projetos tradicionais, isto tenho certeza, mas podemos ver que ainda faltam certas atividades a serem melhoradas.
Um ponto que posso falar com propriedade é o gerenciamento de riscos e o gerenciamento de custos, ainda vejo muitos projetos ágeis ou até mesmo híbridos com gaps de monitoramento, sendo que na minha visão estes temas são muito importantes para o sucesso de um projeto.
Achou muito longo ou complicado este tema sobre Gestão de Projetos? Fica ligado que frequentemente irei postar mais resumos, principalmente sobre as áreas de conhecimento do PMBOK.
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8 comentários em “Gestão de Projetos Tradicionais: O que veio antes do Ágil?”